Mobilidade como Serviço: Conheça o conceito de MaaS e entenda a sua relevância para o futuro

Visão Geral
Rush hour traffic fast moving hyper lapse at night overhead of busy intersection traffic at night moving fast light road lane effect line light cg

Mobilidade como Serviço: Conheça o conceito de MaaS e entenda a sua relevância para o futuro

Um dos maiores desafios da expansão urbana, que acontece de forma exponencial em centros ao redor do mundo, é garantir a eficácia no deslocamento de pessoas, produtos e serviços. Com cada vez mais pessoas circulando em um mesmo local, mais transportes mostram-se necessários. Neste cenário, o conceito de MaaS, Mobility as a Service, Mobilidade como Serviço, em português, ganha força.

Para começar a falar sobre MaaS é preciso esclarecer. O termo não diz respeito a um aplicativo. A MaaS é uma proposta que coloca o passageiro no centro das atenções e integra serviços públicos e privados de transporte em um único sistema.

O conceito permite que o usuário planeje e pague pela mobilidade de forma descomplicada. Assim como serviços de streaming de música, filmes e séries, a MaaS propõe serviços de mobilidade, voltados totalmente para a experiência do usuário, que poderá compor o trajeto desejado escolhendo entre as variadas opções de modais.

A viabilização da MaaS passa pela utilização de uma plataforma digital que reúne dados e formas de pagamento que tornam possível essa integração entre os meios de transporte. Porém, até chegar na implementação, é preciso olhar para todo o caminho. Como surgiu o MaaS?

O conceito da MaaS surgiu na Finlândia e já é realidade no país. Em 1996, cientistas de dados abordaram a criação de um assistente inteligente de informações em uma conferência de turismo realizada na Áustria. Esse assistente era o finlandês Sampo Hietanen, um dos fundadores do conceito.

Essa apresentação era o início da MaaS, que só teve início de fato em 2014. Na época, Hietanen apresentou a ideia de mobilidade como serviço para o público da Conferência de Tecnologia Heureka. Desde então, o conceito ganhou força – e o mundo.

A capital finlandesa, Helsinque, é a primeira cidade do mundo a oferecer a mobilidade como serviço de forma abrangente. Desde 2016 os moradores utilizam um aplicativo chamado Whim para se planejar e pagar por todos os modais de transportes público e privado na cidade, incluindo trem, ônibus, carro ou bicicletas – compartilhados ou individuais.

O exemplo finladês ajuda no entendimento do conceito. O cliente da mobilidade como serviço é a pessoa que precisa circular pela cidade. O processo acontece da seguinte forma: o morador paga pelo uso dos serviços oferecido por uma empresa que atua junto ao poder público, e os operadores e fornecedores de serviços são remunerados.

A MaaS visa, principalmente, o impacto positivo na vida das pessoas e das cidades, reduzindo a utilização do carro particular em grandes centros, grande parte dos problemas de trânsito e sustentabilidade atualmente.

De acordo com a consultoria McKinsey & Co, a integração total entre os meios de transporte disponíveis permitiria acomodar 30% mais tráfego com redução de 10% no congestionamento.

Juntando ações de impacto positivo, como a utilização de veículos elétricos, à utilização da MaaS, é possível reduzir problemas ambientais e sociais. Dessa forma, o serviço ajuda a diminuir as emissões de gases poluentes e também a redução das iniquidades sociais para o acesso à cidade.

Mas como implementar de fato o serviço, seguindo o exemplo da Finlândia? Especialistas afirmam que o grande desafio para países como o Brasil, por exemplo, não é a infraestrutura das rodovias e transporte, problema que afeta diretamente a eletrificação, por exemplo. A grande questão está na ação colaborativa e compartilhamento de dados.

É necessário que operadoras e autoridades tenham uma atuação em colaboração para a padronização de dados e intercâmbio de informações. Com o auxílio da tecnologia disponível, é preciso criar e disponibilizar produtos voltados para a necessidade da população. Além disso, é impossível existir Mobilidade como Serviço sem políticas públicas.

Uma política nacional que apoie a manutenção dos sistemas de transporte nos municípios é essencial, assim como o financiamento do transporte público. O poder público precisa gerenciar o sistema como um todo, para entender quanto seria necessário de financiamento, por exemplo.

A forma como isso será implementado deve ser uma decisão de cada cidade, apoiada pelo Governo, mas de forma específica para cada região e ambiente, de acordo com as suas necessidades.

Existem dois fatores gerais que traduzem o que é preciso para instalar a Mobilidade como Serviço. A integração física e a de pagamentos.

  • Integração física: conexão entre os diversos meios de transporte, como metrô, ônibus, bicicleta, e até mesmo, automóvel particular e de aplicativos. Por exemplo, estações de bicicleta em terminais de metrô e ciclovias nas rodoviárias, que possibilitam o trajeto entre as estações. Diz respeito à combinação dos meios de transporte disponibilizados.
  • Integração de pagamentos: a possibilidade de utilizar a mesma forma de pagamento, como um cartão de crédito e débito, para utilizar todos os serviços oferecidos em um mesmo deslocamento. Sem essa integração, os valores para o cidadão podem ser cada vez mais altos.

Focar na experiência do usuário é a chave. Países que já oferecem a Mobilidade como Serviço possuem pacotes, que podem ser mensais, por exemplo, de deslocamento para seus passageiros.

O conceito de MaaS é o futuro. E, como costumamos falar por aqui, o futuro é agora! Leve essa discussão para o seu dia a dia e busque saber mais sobre como podemos tornar a mobilidade mais sustentável para o meio ambiente e para os seres humanos.