O papel da inovação no processo de aceleração da retomada dos negócios

Visão Geral

Último painel do WEB FÓRUM SAE BRASIL reuniu três presidentes de empresas do setor de mobilidade para discutir as ações futuras em prol da economia

O último painel do WEB FÓRUM SAE BRASIL reuniu, no fim da tarde da quinta-feira, 03/12, presidentes de empresas do setor de mobilidade para discutir como a inovação pode acelerar a retomada dos negócios, no cenário pós-pandemia. Participaram o Diretor Presidente da Ouro Verde Locações e Serviços, Claudio Zattar; o Presidente da Marcopolo, James Bellini; o presidente da Volvo Trucks Latin America, Wilson Lirmann, com a moderação do Líder do setor de Industrial Markets e Automotivo da KPMG, Ricardo Bacellar.

Os participantes foram convidados a contar um pouco sobre suas experiências na direção das empresas, ao longo de 2020, com a pandemia, e expor a percepção de cada um quanto à importância de investir e apostar na inovação como uma ferramenta no movimento de volta da economia e dos negócios, no Brasil e no mundo.

“Para falar sobre inovação é importante, primeiramente, entender o que são essas mudanças e, a partir disso buscar medidas para acelerar o crescimento e retomar os negócios. A pandemia aconteceu e nos pegou desprevenidos, deixando clara uma necessidade de as empresas se reinventarem na busca por soluções e modelos novos para poder seguir em frente”, afirmou Claudio Zattar.

Para ele, a palavra de ordem para o cenário atual é acelerar a digitalização dos negócios. “A retomada vai acontecer de forma gradativa. Não temos ainda um mapa de como vai ser, mas podemos dizer que já se iniciou em alguns setores e deve se estender aos demais. A inovação vai ter um papel fundamental nesse movimento, pois será a responsável por acelerar os processos que dependem da conectividade e da digitalização”, ressaltou.

As mudanças nas relações de consumo e no comportamento das pessoas, que passaram a se preocupar mais com a saúde e o bem-estar, aceleraram algumas tendências, que exigiram mudanças nas estratégias das empresas. “A sociedade como um todo precisou fazer adaptações para essa nova realidade mais digitalizada que passamos a viver. Por parte da empresa, precisamos ajustar o nosso foco de investimento para atender essa nova necessidade, dos nossos colaboradores e clientes”, ressaltou.

Soluções em biosseguridade para ônibus

“Ninguém gosta de crise, pois estraga os planos”, enfatizou o presidente da Marcopolo, James Bellini, que destacou a expectativa da empresa antes da pandemia. “Tínhamos uma perspectiva de que 2020 seria um dos melhores anos para a companhia. Registrávamos um forte crescimento do setor e o aumento substancial das vendas, acima do que imaginávamos”.

O cenário foi de um grande baque para o negócio. Segundo Bellini, a maioria dos clientes da empresa foi muito impactada, com 85% de suas frotas paralisadas. “Em um primeiro momento tivemos que agir rápido, olhando para dentro da nossa empresa, buscando o equilíbrio, mas depois a pergunta era: como sair dessa situação?”, descreveu.

A resposta foi: pensar fora da caixa! “Nunca imaginei que teríamos que nos especializar em biossegurança”, comentou o presidente, destacando a iniciativa de buscar parcerias com outras empresas e startups, visando adaptar tecnologias dos ambientes de espaço físico para a realidade do interior do ônibus, oferecendo mais segurança e tranquilidade aos passageiros.

“O mais importante foi perceber que a forma que trabalhávamos não serviria mais para o futuro, tendo em vista as mudanças ocasionadas pela pandemia. Precisamos reaprender e repensar nosso modelo de gestão”, admitiu.

Inovação em prol de toda a cadeia

O monitoramento da pandemia na Volvo iniciou desde os primeiros casos na China, ainda em 2019, acompanhando a evolução da doença e seus impactos em toda a cadeia produtiva, relatou o presidente da Volvo Trucks Latin America, Wilson Lirmann. “Quando a Covid chegou ao Brasil já tínhamos instalado um procedimento interno para lidar com a crise. Passamos a monitorar diariamente as pessoas, com uma visão ampliada para toda a cadeia produtiva abrangendo nossos clientes e a empresa, com foco na gestão”, explicou.

“Adaptamos a operação, colocando nosso contingente em home office em março e temos um projeto de prolongar pelo tempo necessário. Além disso, em um primeiro momento a cadeia produtiva foi paralisada em todo o mundo, o que nos rendeu um novo desafio: a retomada”, acrescentou Lirmann.

Segundo ele, os investimentos da empresa e a macrotendência não mudarão com a pandemia, mas precisaram ser aceleradas. “O ano de 2020 colocou em prova muitas questões, mas temos uma jornada a longo prazo. Quando falamos em inovação imaginamos algo fora dos limites, mas a realidade é que já temos muitas delas em funcionamento. A inovação será o que vai entregar valor aos negócios em 2021”, concluiu.

Ao analisar os modelos de negócios e as percepções dos presidentes das grandes empresas de mobilidade, é certo que o mercado nos próximos anos estará ainda mais concorrido, o que exigirá das companhias mais eficiência e um processo constante de reavaliação dos processos e do modelo de gestão. Nesse cenário, a inovação será o grande diferencial, seja no ambiente interno das empresas ou nos produtos comercializados por elas.