SEMICONDUTORES – NOTA SAE BRASIL

Visão Geral

São Paulo, setembro de 2021 – O cenário atual do mercado de semicondutores está afetando a produção mundial de veículos automotores. Frente aos impactos que a indústria nacional vem sofrendo, a SAE BRASIL busca analisar o contexto vivenciado pelo setor e contribuir, através de conhecimento estruturado, que compartilhamos aqui.

A crise de abastecimento de semicondutores afeta todos os setores da economia e ocorre em escala global. As fábricas que se dedicam à produção destes componentes se desenvolveram convergindo para uma concentração de unidades fabris na Ásia. Essa concentração fez com que países como o Brasil ficassem dependentes de uma complexa logística.

A fragilidade do abastecimento e os impactos na cadeia produtiva suscitaram intenso debate, provendo informações que levam a rever se processos Just-in-Time são os mais adequados para este tipo de insumo.

A grande variedade de componentes e o ciclo de vida cada vez mais curto dos produtos intensificam o desafio. Agregado a estes fatores, reconhece-se que no caso do Brasil os volumes demandados são pequenos quando comparados aos volumes globais, impactando diretamente na priorização de abastecimento pelos fabricantes.

O fluxo de processos, desde a prospecção de matérias-primas até a aplicação final dos semicondutores, envolve uma alta complexidade tecnológica, elevados investimentos e longo tempo de implementação. Devido a estas condições, o desenvolvimento desta indústria para aplicação automotiva não se tornou viável no Brasil até o momento. No entanto, diante do cenário da escassez de semicondutores, as premissas assumidas nas análises passadas podem não ser mais válidas.

Há uma variedade de mecanismos de incentivo que permeiam a temática dos semicondutores e podem ser bem aproveitados para estimular o desenvolvimento local buscando o fortalecimento da indústria nacional.

Um elemento fundamental para a alavancagem da indústria é a qualificação de mão de obra e o Brasil possui uma sólida e ampla estrutura de formação de profissionais.

A matriz SWOT apresentada ao final deste documento correlaciona os pontos discorridos acima e apresenta uma maior riqueza de detalhes. Na matriz pode-se identificar oito elementos (referenciados pelas letras de A a H).

Cada um destes elementos possui diferentes aspectos. Quando estes aspectos se referem ao ambiente interno, o elemento (A-H) se enquadra como uma Fortaleza, quando os aspectos forem favoráveis ao tema, ou como Fraqueza, quando os aspectos forem desfavoráveis. E quando os aspectos se referem ao ambiente externo, o elemento (A-H) se enquadra como uma Oportunidade ou Ameaça, se os aspectos forem favoráveis ou desfavoráveis respectivamente.

Avaliando-se os aspectos levantados, recomenda-se o mapeamento da cadeia de valor da indústria de semicondutores, juntamente com o mapeamento dos recursos disponíveis, assim como a identificação das potencialidades e prioridades locais.

Estes pontos fomentam a reflexão para a tomada de decisão de como o Brasil pode tratar estrategicamente o tema semicondutores para fortalecer sua atuação e reduzir a dependência global, viabilizando o desenvolvimento direto e indireto de diversos setores da economia e da ciência e tecnologia, dentre eles, o setor da mobilidade.

A crescente utilização de semicondutores na digitalização, nas tecnologias de conectividade e no uso doméstico de eletrônicos, além dos aspectos próprios da transformação corrente das tecnologias de mobilidade, ratificam a relevância deste debate para a indústria brasileira.

Essa simples contribuição através da matriz SWOT é uma parte do debate que temos feito. Estamos de portas abertas para acolher a todos que queiram se juntar a nós para continuarmos buscando soluções para a carência de semicondutores para nossa indústria.